Escuro
Claro
Hoje: 2026-10-15

Ana Clara Guerra Marques

Ana Clara Guerra Marques é referência da dança contemporânea em Angola. Conheça o seu percurso, obra e impacto na cultura.

Ana Clara Guerra Marques

(ou como o corpo também pode escrever história)

Há quem escreva livros. Há quem pinte quadros. E há quem use o corpo como voz. Ana Clara Guerra Marques pertence a este último grupo — o dos que fazem da dança um modo de pensar, de resistir e de construir país.

Filha de Angola, mulher de ideias claras e passos firmes, Ana Clara não dança apenas — coreográfa inquietações, levanta questões, e comanda, há décadas, um dos projectos mais corajosos e consistentes da cena artística angolana: a Companhia de Dança Contemporânea de Angola.

Fundada nos anos noventa, em plena ressaca de guerra e reconstrução, a companhia foi — e continua a ser — um espaço de liberdade criativa, onde os corpos angolanos se expressam para além do folclore, da tradição engaiolada ou do exotismo que tantas vezes é projectado de fora para dentro. Aqui, a dança é contemporânea, sim — mas não no sentido europeu da palavra. É contemporânea porque é urgente. Porque está viva. Porque pulsa no ritmo de Luanda, nas contradições do país, no silêncio da dor e na vibração do sonho.

Ana Clara, com a sua formação sólida em dança, etnocenologia e investigação académica, nunca se contentou em pôr corpos bonitos em movimento. Quis sempre mais. Quis pensar a identidade angolana através da fisicalidade, explorar a memória do corpo africano colonizado, violentado, libertado. Criar uma gramática própria — nem cópia do ballet do hemisfério norte, nem pastiche das danças tradicionais. Uma linguagem mestiça, forte, híbrida, que pudesse dizer Angola sem pedir licença.

Os seus espectáculos — e já são tantos como, por exemplo, A Propósito de Lweji, Uma frase qualquer… e outras (frases), Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos, (Des)construção, Palmas, por Favor!, O Homem que chorava sumo de tomates, O monstro está em cena — não deixam ninguém indiferente. São políticos, poéticos, profundamente angolanos e profundamente universais. Ali, em palco, os bailarinos tornam-se cronistas de um país em constante (re)descoberta de si mesmo.

Mas talvez o mais impressionante no percurso de Ana Clara seja a persistência. Num contexto onde o apoio às artes é escasso, onde a dança é muitas vezes vista como luxo, onde as estruturas culturais são frágeis, ela mantém-se. Com disciplina. Com uma exigência imensa. E com uma fé inabalável de que a arte pode transformar — não o mundo todo, talvez, mas aquele pequeno pedaço de mundo que é o espectador tocado por um gesto, uma imagem, uma vibração.

Ana Clara Guerra Marques é mais do que coreógrafa: é arquitecta de corpos conscientes, pedagoga da emoção, construtora de futuros possíveis através do movimento. E Angola dança melhor porque ela nunca parou.

História Anterior

Jahmek Galeria

Estatueta dourada dos Óscares iluminada em destaque sobre fundo escuro.
Próxima História

Óscares 2026

História Anterior

Jahmek Galeria

Estatueta dourada dos Óscares iluminada em destaque sobre fundo escuro.
Próxima História

Óscares 2026

Últimos Posts

Louis Roederer

Descubra o Convés, um dos restaurantes mais elegantes de Luanda. Boa cozinha, vinhos escolhidos e uma vista que redefine o tempo à mesa.
Esplanada do restaurante Convés em Luanda com cobertura de madeira, mesas ao ar livre e vegetação tropical.

Convés

Descubra o Convés, um dos restaurantes mais elegantes de Luanda. Boa cozinha, vinhos escolhidos e uma vista que redefine o tempo à mesa.
Estatueta dourada dos Óscares iluminada em destaque sobre fundo escuro.

Óscares 2026

Conheça os nomeados aos Óscares 2026, os filmes mais falados do ano e as categorias que prometem uma edição altamente competitiva.

Jahmek Galeria

Jahmek Contemporary Art em Luanda promove arte contemporânea angolana, novos artistas e reflexão cultural. Conheça a galeria e o seu impacto criativo.

Rio Kwanza

Rio Kwanza, um dos maiores símbolos de Angola. Conheça a sua história, paisagens, importância cultural e o papel do rio na identidade do país.